| |
|
|
"Vários dias se passaram da mesma maneira. Kansun andava quando ele andava, sempre no seu ritmo,
parava quando ele parava, não se desgrudava um momento sequer dele, enquanto o elefante seguia
sua vida normalmente, como se o cão não existisse.
|
 |
— Por que me segue, cão? — Perguntou o elefante, mesmo sem interromper sua caminhada, ao cabo
de várias semanas.
— Venho de muito longe, empenhei grande parte de minha vida para encontrá-lo.
— E isso lhe dá o direito de ficar me seguindo?
— O senhor mesmo me deu esse direito não me arremessando longe uma segunda vez, quando
consegui alcançá-lo.
— E o que você quer?
— Desejo aprender com o senhor o segredo da força.
— Minha força provém de minha própria natureza, de meu porte, não posso
transferi-la para você, nem existe um segredo nela.
— Mas se eu apenas puder observá-lo a se utilizar dela, tenho certeza de que já me
beneficiarei imensamente.
— Você já me viu utilizá-la exatamente sobre si próprio, e quase morreu.
|
— Morreria de fato, se assim fosse o meu destino.
— E para que você deseja força?
— Para voltar aos meus e poder também lhes ensinar seus segredos e como utilizá-los.
Desejo poder ajudá-los a ter uma vida profícua, e não a mesmice a que hoje
estão relegados.
— E o que o faz pensar que perderei meu tempo apenas para satisfazer o desejo de um vira-lata?
— O senhor nada perderá, pois não é preciso que me destine muita
atenção, porém eu muito ganharei se for honrado com seu consentimento." |
 |
|
|
|