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"Sem ter o mínimo tempo para concatenar seus pensamentos sobre os estranhos acontecimentos,
ouviu uma voz doce e melodiosa.
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— Está à minha procura, Kansun?
Já recobrando sua visão quase normal, olhou em torno de si procurando quem lhe dirigia
aquelas palavras, mas estava só. Nada nem ninguém, além dele mesmo, no cume da montanha.
Pensou estar altamente sugestionado pelas palavras do carneiro, que acabava de rememorar, e pelos estranhos
fatos, ouvindo, então, vozes inexistentes.
— Estava à sua espera, nunca saí daqui, continuou a voz.
Mais assustado, Kansun voltou a olhar várias vezes em torno de si, mas novamente constatou que
não havia ninguém.
— Quem é você? Quem está falando comigo? — Perguntou em
voz alta, embora se sentindo um tolo. — O que deseja comigo?
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— Eu sou Hyle. Não é você que me procura, Kansun?
— Mas eu não consigo ver você. Se você é real, onde
está que não a vejo?
— E somente o que você vê é real?
— Tudo o que posso ver, tocar e sentir existe, está aqui. Posso conferir.
— E você então só se orienta pelo que pode conferir, pelo que
é absolutamente real?
— Já nem sei mais. Tanta coisa maluca me tem acontecido! Por isso mesmo, mais
do que nunca sou obrigado a me ater apenas ao que me parece real.
— No entanto, não está discutindo com algo irreal?
Kansun ficou momentaneamente mudo. Hyle o havia conduzido a uma lógica do absurdo, de onde
não tinha palavras para se safar. Aquela voz tão... tão... ‘real’,
parecia brotar de dentro de si mesmo, porém tinha muita personalidade. Superou o espanto e o
medo e continuou, tentando obter alguma informação útil da voz.
— O carneiro me disse que você poderia me indicar um caminho para encontrar
um elefante.
— E você ainda não sabe o caminho, Kansun?" |
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