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"Nesse pouco tempo, desde que se despedira dele, havia observado coisas que nem sonhava existir, e
passado por situações embaraçosas. Não sabia ainda o caminho correto a seguir
para encontrar um elefante, e sequer tinha certeza de que esse deveria ser o ideal de sua vida,
porém estava percebendo as situações de uma forma diferente, sem a angustiante
hesitação de antes. Aceitara a sugestão de Ughu de se impor uma meta —
encontrar um elefante e obter dele o segredo da força — e dela não haveria de se
afastar até que a atingisse!
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Num final de tarde, quase início de
noite, já tendo andado por muito tempo durante o dia,
com o estômago a reclamar algum alimento, Kansun se aproximou de um pequeno regato, à margem
do qual, empoleirado na ramagem de um arbusto, descansava um pássaro.
‘Comida à vista’, avisou o ronco da barriga. Resolveu aproximar-se dele como que
desejando conversar e, aproveitando qualquer distração sua, abocanhá-lo. Ainda
numa distância segura para a ave, que o observava atentamente, dirigiu-se a ela, dando-lhe boa
noite e perguntando se poderia dar algumas informações.
O pássaro foi bastante receptivo, retribuindo o cumprimento e oferecendo-se para prestar a
ajuda que fosse possível. Aproximando-se vagarosamente do arbusto, Kansun explicou ao
pássaro que buscava o encontro com um elefante. Pensava que, por poder voar bem alto e bem
longe, tendo seu campo de visão enormemente aberto, talvez ele tivesse visto algum nas
imediações.
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Antes de qualquer resposta, a ave quis
saber dos motivos que levavam o cão a desejar encontrar
um paquiderme, e este, sentindo que ganhava a confiança do outro, começou a explicar as
suas razões. Ao terminar, já estava sentado sobre as patas traseiras imediatamente abaixo
do ramo em que o pássaro estava pousado. Observou bem o ambiente, para se certificar de poder
dar um bote certeiro quando sentisse o momento.
Olhando para cima, na direção da ave, pôde ver que as primeiras estrelas
já começavam a brotar luminosas no céu, refletindo seus pontos de luz na
superfície do pequeno regato ao seu lado. Quando o pássaro, após ter ouvido
suas explicações, começou a falar em resposta à sua pergunta, Kansun
julgou ter chegado o momento de agir, pois, ocupado em articular sua resposta, estaria ele
distraído o suficiente para permitir-se ser abocanhado.
Num movimento brusco, concentrou toda sua energia nas patas traseiras que, como uma possante mola,
impulsionaram-no, com a boca escancarada, na direção da presa. Seus dentes, no entanto,
cravaram-se no vazio." |
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